segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O acidente

O transito andava como tartaruga em dia de sol. Disseram que era acidente. Ouviu aquilo com êxtase. Acidente! Estava atrasado para ver a filha que chegara do Rio. Mas acidente mexia com ele.


Saiu do carro, e foi verificar se era verdade. Logo a frente havia um amontoado de gente. Só poderia ser ali. Foi encostando com ânsia. A curiosidade lhe roubava os sentidos. Olhou, procurando detalhes. Viu um corpo branco jogado ao chão, havia pouco ferimento.

Então distraiu-se fumando um cigarro. Sentiu algo molhando o pé. O corpo era agora uma enorme poça de sangue. Olhou assustado, tentando entender. Não havia mais corpo, apenas sangue. Sentiu um arrepio.

Do outro lado encontrava-se um outro corpo. Aproximou-se devagar. Disseram que estava feio. Sentiu uma enorme excitação. Com dificuldade vencia a multidão que o cercava. A ânsia aumentava a cada comentário. E quando finalmente chegou, de repente o rosto ficou pálido e desenhou um grito de horror, que ficou para sempre mudo.



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